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Quando a dor não tem nome

Nem todo sofrimento se encaixa em um diagnóstico. Há pessoas que não estão deprimidas no sentido clínico, que não têm crises de pânico, que não passaram por uma perda concreta — mas sofrem. Sofrem de um jeito difuso, difícil de explicar, que muitas vezes nem elas mesmas levam a sério porque “não tem motivo”. Sentem um vazio, uma insatisfação crônica, uma irritação que não passa, uma sensação de estar vivendo no automático ou de que algo fundamental está faltando, sem saber dizer o quê.

Esse tipo de sofrimento é legítimo e merece cuidado tanto quanto qualquer outro.

Como se manifesta

Por não ter um nome claro, esse sofrimento aparece de formas variadas. Pode ser uma dificuldade persistente nos relacionamentos — repetir os mesmos padrões, escolher “as mesmas pessoas”, sentir que nenhuma relação dá certo, sem entender por quê. No trabalho ou consigo mesma, pode ser uma autocobrança paralisante, a sensação de nunca estar à altura, de nunca fazer o bastante; ou uma agressividade que escapa no trânsito, em casa, com os amigos, seguida de culpa e tristeza; pode ainda ser uma dificuldade de sentir prazer e se conectar com os outros; de se reconhecer no espelho. Simplesmente a sensação persistente de que a vida, mesmo quando funciona por fora, por dentro não faz sentido.

Muitas vezes, esse sofrimento se expressa no corpo antes de encontrar palavras: insônia, dores crônicas, problemas de pele, gastrite, compulsões alimentares, uso excessivo de álcool ou pornografia — formas que o psiquismo encontra para descarregar o que não consegue elaborar.

O olhar psicanalítico

Na psicanálise entendemos que esse tipo de sofrimento não é menor do que os outros —  ele é difícil e causa muito descoforto justamente por não ter um contorno definido. A pessoa chega ao consultório dizendo “não sei bem por que estou aqui” ou “eu sei que tem gente em situação pior”, como se precisasse pedir licença para sofrer ou não tivesse o direito de estar ali “só por isso”.

O trabalho analítico, nesses casos, é justamente ajudar a dar forma ao que é disforme. Olhar para a história da pessoa, para os padrões que se repetem, para os desejos que foram silenciados, para os conflitos que ficaram sem resolução — até que aquilo que era apenas mal-estar comece a ganhar nome, contorno, linguagem e, com isso, a possibilidade de ser conhecido e manejado. Deixa de ser um fantasma, uma força oculta e passa a ser uma força ativa, capaz de ser direcionada e aplicada conscientemente.

Tratamento

Não é preciso estar em crise para procurar terapia. Às vezes o sofrimento mais importante é exatamente o que parece pequeno demais para justificar ajuda, que em algum momento, a pessoa entende que ele merece atenção.

Se quiser conversar mais a respeito, entre em contato.