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Ansiedade

A ansiedade, em si, não é doença. Ela é uma resposta do organismo diante de situações que exigem atenção ou preparo — um mecanismo de proteção. O problema começa quando essa resposta se desproporciona da situação real, ou quando aparece sem motivo identificável, com uma frequência e uma intensidade que passam a atrapalhar a vida.

Sintomas

Os sintomas se manifestam no corpo e na mente. No corpo: taquicardia, falta de ar, tremores, sudorese, tensão muscular, insônia, problemas gastrointestinais. Na mente: pensamentos acelerados, sensação de perigo iminente, dificuldade de se concentrar, irritabilidade, medo de perder o controle. Em quadros mais intensos, podem ocorrer crises de pânico — episódios súbitos de medo extremo acompanhados de sintomas físicos fortes, que muitas vezes levam a pessoa ao pronto-socorro acreditando estar tendo um infarto.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico. É fundamental diferenciar a ansiedade normal — aquela que todos sentimos antes de uma prova, de uma entrevista, de um evento importante — da ansiedade patológica, que não cede, que se desproporciona e que compromete o funcionamento. Essa distinção exige avaliação profissional. É comum também que a ansiedade se confunda com ou acompanhe outros quadros, como a depressão, o que torna o olhar clínico ainda mais necessário.

O olhar psicanalítico

Para a psicanálise, apesar das questões neurobiológicas envolvidas, o ponto central de atenção não recai sobre questões químicas e hormonais do cérebro. Ela entende o fundionamento da ansiedade, essencialmente, de duas formas.

A primeira é como um acúmulo de tensão que não encontra saída. Algo incomoda profundamente — uma raiva que não expressada, um desejo reprimido, uma dor que “engoliu” para não incomodar ninguém. Essa energia fica retida e, sem saída, se transforma em sintoma: tensão no corpo, insônia, coração acelerado, um mal-estar que você não sabe explicar.

A segunda é como um alarme interno. Assim como um detector de fumaça dispara antes do incêndio, a mente dispara a ansiedade quando percebe que algo perturbador está prestes a vir à tona — uma lembrança dolorosa, um desejo proibido, um conflito que prefere evitar. A ansiedade surge como um aviso: “atenção, território perigoso.” e muitas vezes nem se sabe de onde vem esse perigo e se de fato ele é proporcional à realidade.

Uma pessoa, por exemplo, pode não perceber a presença de um conflito que nunca foi elaborado, apenas sentido ao longo dos anos, sem que tenha uma forma definida (uma palavra, um exemplo, um personagem de filme) que sirva para nomeá-lo, apenas uma sensação de angústia que dispara o alarme nas situações do presente. Há casos em que existe certo medo e preocupação intensa de não ser boa o suficiente, ou de decepcionar e ser rejeitada. Então, quando é preciso se expor ou ser avaliada, o alarme toca, as mãos tremem, o coração dispara. A atenção recai sobre esses sintomas físicos, enquanto as razões psicológicas ficam escondidas.

Tratamento

É por isso que o trabalho analítico com a ansiedade busca investigar o que está por trás desse alarme — não para silenciá-lo à força, mas para entender o que ele está tentando dizer. O tratamento consiste em dar palavra a isso que, por não encontrar expressão, se manifesta no corpo. Em casos moderados a graves, a combinação com acompanhamento psiquiátrico pode ser indicada.

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